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Ficaram no passado, geografico e temporal, Berlin, Straburgo, Hamburgo, Milão e Bilbao. Não pude, não deu tempo, não consegui acompanhar a viagem e escrever, fazer vídeos e tirar todas as fotos que queria. Com tantas imagens passando, com tantas coisas acontecendo, com tantas pessoas para conhecer, andar com a câmera sempre à mão me pareceu um pouco estúpido, sem sentido e incomodo. E na ânsia de não ser só um turista, mas sim de viver como se vive lá ou cá, as fotos e vídeos ficaram para trás. Mas o que passou? Onde passou (ou passei)? Desde o principio foi assim…

Berlin.

Carlos, meu amigo cuiabano morando em Berlin, me deixou bem claro que eu não veria nenhum ponto turístico. E assim foi. Nos dias que passei lá, via ao longe a famosa torre de TV, mas nada alem disso. Da janela do metrô vi, uma ou duas vezes o muro de Berlin. Mas fez falta? Na verdade quando comecei essa viagem não queria realmente visitar os pontos turísticos. Não penso que isso seja realmente conhecer um lugar, sua cultura e sua gente. Saindo todas as noites, andando nas ruas, de clube em clube, comendo e bebendo onde comem a gente, ah sim, isso sim me mostra como é estar lá. E Berlin, mais do que qualquer outro lugar na Europa te dá sempre um lugar para ir. Há uma mistura enorme de gente. Tal como Roma séculos atrás, Berlin hoje é o centro da Europa. Todos os caminhos, hoje, levam para lá. E isso se reflete nas opções de clubes, bares, restaurantes e musica. À pé, de bicicleta ou metrô você pode em minutos passar do reggae ao eletrônico, do folk ao metal, assim, quase que num passe mágica.

Talvez minha maior surpresa, mais do que a diversidade de culturas presentes, tenha sido a personalidade dos alemães que tive oportunidade de conhecer, e o comportamento geral que pude observar. A imagem de um povo de comportamento restrito, quase calculado e fechado, não se enquadrava no que via. É fácil encontrar alemães ostentando extensos e densos cabelos rastafári. Um senso de moda bastante particular, individual, que dificultava um pouco definir tribos urbanas. Também a idéia, que eu tinha, de um povo recatado e não dado a interação caiu por terra. Especialmente no que se refere ao eterno teatro entre “homens e mulheres” os berlinenses me surpreenderam. As meninas, incrivelmente lindas e numa quantidade estonteante, vêm e vão a seu bel prazer. Dançam contigo, te abraçam, te beijam e assim como chegaram, se vão. Sem nomes, telefones ou qualquer outra referencia. Aconteceu aqui, agora e é pouco provável que vá acontecer novamente. Portanto, aproveite, e muito!

Em Berlin não perca o Yaam, Bar 25, Havanna e o Berghain. E não se furte de comer um Kebab, simplesmente a melhor comida por 3 euros.

É uma cidade que assusta pelo clima generalizado de País das Maravilhas misturado com Terra do Nunca. Tive que sair correndo de lá, poderia ter ficado preso. Há sempre um chamado nas ruas…

Estrasburgo

É uma pequena cidade no interior da França, na borda com a Alemanha. Durante todos os períodos de guerras entre as duas nações a cidade era simplesmente anexada ao território alemão. Como resultado muitas ruas e praças e outras localidades na cidade tem placas de sinalização nos dois idiomas. Em alguns casos, os nomes em alemão estão escritos, rabiscados, à mão. Uma história interessante é a de uma rua que se chamava Le Savage, por ocasião da II Grande Guerra, um cidadão francês foi recrutado pelos soldados alemães com a tarefa de traduzir os nomes das ruas e praças. Pois bem, chegando à rua Le Savage, o tradutor, num ato considerado de heróica resistência, traduziu Le Savage por Rua de Hitler, e assim permaneceu até os dias de hoje o sinal com os dois nomes.

Foi como sair de uma discoteca e chegar na paz do seu quarto. Estrasburgo é calma e tranqüila como toda boa cidade do interior o é. A cidade é cortada por um canal que proporciona para os turistas uma rota de passeio por barcas que levam centenas deles em city-tours.

A cidade vive no presente, mas respira no passado. O metrô de superfície, que também não se paga, me levou ao centro da cidade. Lá, o ar 800 anos ainda circula. Caminhei pelas ruas encantado com isso. Numa das praças está instalado um carrossel, pelas imagens vê-se que é da primeira metade do século passado, mas perfeitamente conservado, apenas contribuindo com aquele ar nostálgico. Caminhando ali e olhando as casas, as pessoas e lojas, não se tem exata noção de onde esta até virar a esquerda depois do carrossel. A catedral, também de Notre Damme, erguesse imponente ao fim da rua. Ao tocar as paredes quase pude ouvir as vozes de 800 anos atrás que erguiam essa obra.

Estrasburgo é uma cidade do interior, com todo o clima de cidade do interior e vale a pena por lhe trazer todo esse bucolismo em cada fôlego que se toma.

Hamburgo

Hamburgo é uma cidade portuária. Nasceu e cresceu assim. Extremamente conservada, seus prédios antigos ainda sustentam a elegância e imponência de quando foram construídos. Por ter essa característica mercante a cidade acolhe diferentes culturas, diferentes povos e costumes. Mas ser brasileiro nessa parte da Europa é fantástico e quanto mais ao norte se vai, mas o fator Brasil facilita a sua vida.

Desembarquei na estação Central e demorou bastante até que encontrasse Julia (Yulia), minha anfitriã e amiga especial que conheci ainda nos EUA. Ela me recebe com sua costumeira cor azul turquesa, cheia de sorriso, olhos verdes e um beijo.

De lá tomamos um metrô, ou metrô de superfície, até sua casa numa pequena cidade contigua à Hamburgo. Ao chegarmos a casa, e isso foi uma parte interessante de conhecer uma casa de família alemã, comecei a perceber a diferença de costumes. A começar pelo fato de, embora esperasse passar as noites num colchão na sala ou algo similar, tínhamos uma cama de casal no chão do quarto dela. Enquanto eu olhava aquilo ainda embasbacado, sua mãe me perguntava se estaria confortável ali.

Hamburgo tem muitos lagos, os quais nessa época do ano, maio a julho, são bem visitados por banhistas e é outro momento que fator Brasil entra em campo. Basta ter um dourado na pele e você já se destaca, mas aqui, num bom sentido. Há uma cultura de esportes por aqui e muitas pessoas correm ao redor dos lagos, nadam ou simplesmente fazem exercícios no gramado. E bicicleta, todo mundo tem uma e vai a toda parte com ela.

Há também um bairro chamado Keis (quis) que é um tipo de Distrito Vermelho. São centenas de bares, streap-clubs, sex-shops, pubs, clubs e tudo o que a sua mente insana possa imaginar acontece ali. Há algumas dezenas de prostitutas nas ruas, mas a juventude em massa da cidade freqüenta esse espaço de sexta até domingo é esse o lugar para vir à noite. Das ruas de pode ver as mulheres semi-nuas dançando nos palcos dos clubes de streap, mas além disso há uma rua fechada para mulheres, só os homens podem entrar e, tal como o Distrito Vermelho de Amsterdam, aqui as mulheres estão dispostas em vitrines e você pode passar e escolher aquela que mais lhe agradar. Falam no mínimo quatro idiomas e vão da beleza clássica ao quase bizarro e em média 50 euros por hora. Simplesmente fantástico.

Hamburgo tem boas universidades e encontrei brasileiros fazendo um programa de intercambio chamado Erasmus. Visitando essas universidades, fica a dica, aproveite para almoçar, jantar ou sei lá. A comida é de primeira qualidade e custa bem pouco. Um almoço sai mais barato que um Kebab na rua.

Hamburgo foi excelente. Muito divertido e as pessoas me trataram muito bem. Mas os detalhes são muitos, não cabem aqui. Despedi-me de Julia e Tina na mesma estação de trem que cheguei. Enquanto o trem partia, eu pensava “isso nunca aconteceria comigo no Brasil!”