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Nostalgia

Publicado: 12 de dezembro de 2010 em Sem Categoria
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por do sol em coimbra

Nostalgia. Uma saudade bem especifica. Lembro das coisas que se passaram a tantos anos. Tantos anos. Lembro da rua, da calçada, daquele buraco no poste de luz, de onde às vezes saíam abelhas. Olho para a cicatriz no meu pulso e lembro-me do exato momento, perdido nos anos, mas único e inesquecível em que cortei o braço correndo na rua. Quantos anos? Não lembro.
A cor da minha casa. A telha solta que indicava onde entrar pelo teto. A antena de alumínio que tinha que girar. O pé de goiaba, a amoreira de onde minha mãe tirava varinhas pra me bater, ou ameaçar pelo menos. As corridas, a sujeira no pescoço, os socos, os chutes, as pedras. A palha de arroz… tantos anos! Quantos? Não lembro.
Ainda hoje conto essas histórias. Quem sabe o que delas ainda é verdade? Minha memória diz que sim, mas sei que aqui e ali um ponto e uma vírgula mudaram no decorrer dos anos para adocicar a lembrança. E aqui, olhando para o passado, começo a pensar que “nos meus anos” as crianças eram mais simples, as ambições menores e o futuro mais simples. Talvez seja só minha opinião. Será? Não sei.
Gosto de lembrar essas coisas. Gosto de olhar prá trás e procurar um pequeno detalhes que mudou o rumo da conversa e mudou o fim da história. Me parece certo tirar idéias, lições, aprendizados do que passou. Quanto mais você puxa o elástico, mais longe vai a pedra, li há muito tempo, não sei aonde, não sei de quem. E talvez seja pretensão minha, só talvez, observar essa geração que já faz revival dos anos 90, e concluir que já não se puxa o elástico tanto assim.
Nessas lembranças estão minha mãe e suas lições. Sua vida toda uma lição. Meu pai, como eu, apenas humano, mas ainda assim tanta coisa. Meu irmão, minha irmã, meus irmãos. Família. Tomei decisões e assumi posturas e responsabilidades que me levaram a caminhar no escuro, caminhar sozinho. É fácil, e até lugar comum, ficar perdido e desesperado de vez em quando. E o poder mágico da memória é saber que há ali, um alicerce sobre você se ergueu e que mesmo agora, tão longe no tempo e espaço, ainda lhe segura e, se for o caso, guia.
Meus amigos, minhas amigas, meus inimigos. Acho que é a primeira vez que admito meus inimigos. Mas estão ali, nas memórias, as discussões, as brigas, a corrida pela vantagem. Hoje posso sorrir da competição por amigos, popularidade, “moral”. Mas naqueles anos quão importante era ser aceito, ser respeitado! E valia qualquer coisa. Hoje é um sorriso. E amigos! Tantos! Lembro dos nomes de crianças de 6 anos de idade. Lembro dos desenhos, das brincadeiras, das musicas. Dos cadernos. Das perguntas das respostas. Hoje, vivo me empurrando para frente. Meus amigos esperam mais de mim do que eu mesmo. São capazes de ver coisas que não posso, e como se me conhecem mais do que eu mesmo sou capaz, me ajudam quando preciso e me deixam voar sozinho quando é o momento. Não lhes peço, não preciso, eles sabem e tudo acontece com fluidez.
A verdade é que o passado responde-nos quando perguntamos quem somos. Felizes aqueles que podem sorrir com a resposta.

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