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Ontem, dia 3 de fevereiro, foi um feriado nacional de Moçambique. Dia do Herói Moçambicano, uma referencia ao primeiro presidente da Frelimo, Eduardo Mondlane. É como um 7 de setembro brasileiro, não, na verdade esta mais para um 4 de julho americano. Já por algumas semanas os estudantes ficavam até tarde da noite ensaiando musicas e danças para o dia especial. E alguns dias antes foram distribuídos tecidos com estampas e cores iguais para as meninas fazerem suas capulanas, e cores e estampas diferentes para os meninos fazerem faixas para trazerem passadas ao peito.

Amanheceu um pouco frio, mas o céu estava azul, algumas nuvens e, parecia, não ia chover. O programa era fazer um desfile por toda a comunidade, cantar músicas de homenagem ao herói, e após o desfile apresentações culturais.

Assim, às oito da manha saíamos pelas ruas da vila. As estudantes com camisetas brancas e capulanas em tons de azul, e os meninos camisetas brancas, calças pretas e suas faixas em tons de verde. Cantávamos uma musica chamada “Tyende pamozi ni ntima umozi” algo como “Caminhamos juntos com o mesmo coração”, segundo a tradição, a preferida de Samora Machel. As crianças logo se juntaram a nós. Algumas pessoas saudavam das janelas ou mesmo da frente de suas casas. Alguns cantavam juntos batendo palmas. As senhoras trajavam capulanas com imagens de heróis moçambicanos, ou com o emblema do partido.

Demos assim a volta pela vila e por fim chegamos a um descampado, onde disseram no discurso, construirão uma praça em homenagem ao herói. Flores foram depositadas num marco, e cantamos o hino nacional moçambicano. “milhões de braços, uma só força”.

Retornamos à escola e debaixo da sombra de um abacateiro os grupos culturais formados pelos estudantes apresentaram suas coreografias para musicas tradicionais. Letras extremamente políticas ou sociais. Uma dizia assim “mataram Mondlane, pensaram que venceram, o povo respondeu, ‘a luta continua!’”. Misturando línguas locais e português as musicas empolgavam a platéia que gritava, dançava e batia palmas com enorme alegria nas faces. Não preciso dizer o que qual extasiado, feliz e agradecido eu estava por estar ali, me arriscando a dançar no meio dos grupos. E ao mesmo tempo, me sentindo totalmente estranho ao meio, como se estivesse invadindo um espaço que não é meu.

Uma peça de teatro amador contava a historia do herói, num tom pícaro, infantil. O motivo é duplo. É do moçambicano um humor simples, infantil, inocente, a peça apenas seguia o estilo do país, e também por conta das crianças que assistiam à peça. A maioria não pode se comunicar em português, logo não tem acesso a livros de história, jornais ou qualquer outra publicação impressa. O teatro é logo um método pedagógico nesses eventos.

            Depois das apresentações, teríamos futebol de onze. Mas a chuva que caiu à tarde foi capaz de transformar nosso jardim em lago artificial.

            Numa conversa com um dos estudantes perguntei com qual idade alguém era considerado adulto aqui, ele disse 60 anos.

– tem certeza? 60 anos não é idoso?

– sim, estou certo, jovem até os 35 anos, idade do meio até 60, e depois adulto.

– e velho? E idoso? – perguntei.

– ah! Só depois dos 70!

            Eu saí sorrindo e aposto que ele não sabe por que…

platéia

platéia

futuros professores

futuros professores

 
abacateiro

abacateiro

senhoras/mamas

senhoras/mamas

passando na vila

passando na vila

céu azul

céu azul

Curiosidades…

Publicado: 15 de dezembro de 2008 em Sem Categoria
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Maningue Nice = Muito Legal
Muito Fish = Muito Legal
Sorry Lá = Desculpa
Mata Bicho = Café da Manhã, com direito ao verbo Matabichar. “Já matabichou hoje?”
Senhor Formador = Professor
Ninguem usa MSN ou Orkut, ok, niguem não, mas é muito dificil encontrar quem use.
Leonardo é o maior representante da musica brasileira aqui.
A dança mais popular é a Passada, muito sensual, quando se quer! Mas Marrabenta e Cuduro fazem sucesso tambem.
Não há McDonalds, porque as pessoas comem mais frango, por isso tem KFC!
Nescau = Milo, Nescafé = Ricoffe e Ninho = Nido.
Não ten gerundio, então é assim “estou a ire a escola, e você, o que esta a fazere?”
Fanta de Abacaxi.
Os homens andam de mão dadas. Se abraçam, digo, ficam abraçados sem nenhum constrangimento.
A “cantanda” mais usual é “Ei vem aqui e me dá o numero do seu telefone!”. Sim, funciona…
Matope é o solo barrendo da maior parte do pais, gruda no seu sapato e você pode ficar com até 5cm embaixo dos pés a medida que anda!
Direção dos carros é no lado direito.
Quando pedir feijoada num restaurante não espere Feijoada Brasileira, a feijoada aqui é de feijão claro, com legumes e dobradinha de boi.
Sandes de Tudo, é como se pede um X-Tudo por aqui.