Arquivo de setembro, 2010

Em Coimbra já… parte II

Publicado: 3 de setembro de 2010 em Sem Categoria

continuando a saga, chego à Itália…

Pandino (Milão)

A viagem do norte da Alemanha para o norte da Itália me levou a cruzar a Suíça de trem. Acordei de manhã bem cedo em Bassel. Fazia frio e eu tinha vaga idéia de onde estava. Na estação de trem onde esperava pela conexão percebi pessoas falando francês, alemão, italiano e espanhol. Pelo noticiário que passava percebi que estava no país neutro. Dali para a Itália foi a viagem de trem com a vista mais impressionante que já fiz. Os tão falados Alpes só fazem sentido vendo-os com os próprios olhos, ao vivo, e perceber o tamanho real das montanhas, sua magnitude e então se sentir pequenino em frente àquela grandiosa obra da natureza. Os Alpes impressionam. Faz muito sentido que um país portador de tamanha beleza, de tamanho colosso, tenha adotado uma postura neutra em todas as guerras.

A seguir vem a parte Italiana dos Alpes e dezenas de pequenas cidades ao redor de imensos lagos. Já é meio do ano e ainda há muita neve sobre os picos.

Chego em Milão pela manhã, algo por volta de 10 da manhã. A estação de trem é por si só um monumento e enquanto procuro o terminal de metro aproveito para olhar ao redor. Encontro o metro e diferente dos que tinha visto até então na Alemanha e na França, este aqui tem sim catracas de cobrança, e finalmente começo a ver pedintes. Aqui na Itália são norte-africanos (nigerianos, marroquinos), outros do leste europeu e os “ciganos”.

Apanho o metro, até a estação final e de lá, descubro, tenho que apanhar um ônibus por 2,70 euros, o taxista queria 70 euros, até a casa de Lucia, em Pandino. Uma hora, pouco menos de estrada até lá, com uma boa dezena de prostitutas pelo caminho. Elas estão por toda parte e ao contrário de que muitos pensam, ao menos aos meus olhos, não são brasileiras.

Pandino é uma vila pequena, povoado dizem por aqui. Mas tem ali o seu castelo e sua cadetral e fica ao meio caminho. Daqui Milão, Verona, Veneza, Bérgamo e os Alpes estão todos há de uma há algumas horas de viagem.

De lá caminho por uma meia hora até encontrar a casa. A mãe e o pai de Lucia me recebem com muito bom humor e vendo meu estado deplorável me oferecem uma ducha, comida e cama e logo estou dormindo. Quando Lucia por fim retorna, me encontra abraçado ao travesseiro.

De Pandino fui a Milão, sua catedral é fantástica. Muitos parques, muitos arcos, castelos, fontes, misturados a um ar moderno e de moda. É como andar numa passarela. Brasileiros são fáceis de encontrar e por acidente acabei num restaurante brasileiro, onde serviam X-Tudo, não pude evitar.

Fui também a Bérgamo. A parte alta da cidade é medieval em essência. O vinho é da região, o queijo, o salame. Tudo tradicional, do modo de fazer ao modo de comer. A cidade tem também uma cadetral, e isso seria a maior aventura de um fotografo na Itália, tentar fotografar todas as igrejas do pais, são certamente milhares. Nesta, em Bérgamo, aconteceia um casamento e pelo idioma que falavam de um casal alemão, mas poderia ser suíço. Vale muito a caminhada pela cidade e em vários ponto existem mirantes em todas as direções. Os Alpes são visíveis dali, assim como uma sombra ao longe onde fica Milão.

Fui a Verona, clássica cidade dos amantes e da historia de Romeu e Julieta. A casa de Julieta, controversa, tem milhares de dezenas de mensagem escritas nas paredes, em bilhetes colados por toda a parte. A lenda diz que se esfregar o seio direito da estatua de Julieta encontrara um novo amor. Lógico que não deixei essa oportunidade escapar! Há por aqui uma praça dedicada a Dante Alighieri, nela um trio feminino tocava com flauta doce, violino e violão clássico, temas medievais. Encantandor.

Aqui, nos pequenos vilarejos italianos, como Pandino, há uma tradição interessante. A cada cinco anos, todas as pessoas nascidas no mesmo ano se encontram para celebrarem uma noite juntos. Coincidentemente na semana que estava lá era a semanada festa de Lucia e sua “classe”. Todos se encontram no café do vilarejo, apanham um ônibus alugado e se dirigem a um Buffet de festas. O Buffet não era reservado para essa festa, mas várias. Noivados, aniversários, despedidas de solteiros, formaturas, etc. Todas as festas num só local, todos celebrando no mesmo momento. Quando por fim voltamos pra casa, já era dia.

A Itália fez lembrar-me de casa. Amizades fáceis, sorrisos, hospitalidade. E a cozinha! Há tanta coisa! Itália, Itália, vale muito a pena. E nem falei de futebol!

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