Arquivo de junho, 2010

Berlin 72 horas – parte I

Publicado: 1 de junho de 2010 em Sem Categoria

São sete da manhã quando eu piso na Europa pela primeira vez. Pela janela do avião o que eu via era uma planície sem grandes relevos, muita água de rios que se encontravam com o mar e grandes campos coloridos com diferentes culturas ou período de plantação.

O agente de emigração parece com sono, definitivamente sou a primeira pessoa que ele fala nesse dia. Há problemas na máquina de scanner e ele demorar para finalmente me perguntar “qual o motivo de sua viagem”, digo férias, ele pergunta se tenho cartões de crédito ao que digo que sim. Pronto. “O senhor é muito bem-vindo à Europa”.

Mais algumas horas, outro vôo e por fim chego à Berlin. São onze e meia da manhã, mas meu relógio mostra cinco e meia da matina. Não tenho sono, no entanto. Espero a mochila, e quando estou quase saindo pelo portão de segurança outro agente de emigração pede para falar comigo. Pergunta o que venho fazer, se o violão é meu e me deseja boas-vindas.

Eu já tinha visto Carlinhos me esperando antes do guarda me parar. Carlinhos não envelhece. Com cabelos curtos e óculos escuro, tem o mesmo rosto jovem de 6 anos atrás, mas um ar confiante e um peito estufado que não recordava de ter visto antes.

Pegamos o ônibus, gasto minhas primeiras moedas de euro, e em seguida o metrô. É costume não pagar o metrô e assim vamos nós também. Berlin é grande, não cheia de arranha-céus como as cidades americanas, mas espalhada, elegante e a impressão que se tem pelo o que se vê nas calçadas é de uma cidade cosmopolita, multicultural e multi-étnica. Pessoas de todos os cantos do mundo vão de um lado para outro nas ruas. E no bairro onde ficamos essa sensação é ainda mais intensa.

Deixamos as coisas no apartamento, e saímos para comer. A comida mais popular aqui, ao contrário do que se espera não é a famosa salsicha com molho e sim o kebabs dos turcos e kurdos que moram em abundancia na cidade. Optamos pelo kebab. Diferente dos servidos no Brasil, esse aqui parece um grande sanduiche e sai por 2 ou 3 euros.

Voltamos para casa, e no caminho percebo que Carlinhos é mais conhecido com moeda de um centavo. Para aqui, para ali, fala com um e com outro. Mas estou ainda impressionado demais para conseguir conversar, e nem meu inglês e nem meu espanhol saem direito da minha boca. Mas as pessoas são muito amistosas nessa área da cidade.

Quando chegamos em casa, vou dormir. Meu anfitrião me acorda dizendo que já são 5 da tarde e que devemos sair. Olho o meu relógio que me diz que são 11 da manhã e vamos. É o Karneval der Kulturen e eu não estava preparado para o que vinha pela frente. Logo de cara chegamos num palco onde Salsa era tocada ao vivo e centenas de pessoas dançavam animadas. E com muita habilidade dublas dançavam fazendo performances dignas de um “dancing with the stars”! continuamos caminhando passamos pelo parque, onde dezenas de pequenos artistas faziam suas apresentações. Malabaristas, dançarinos, cantores, de tudo um pouco, e muita, muita gente. Seguramente mais de meio milhão de pessoas circulavam. Diferente dos EUA, aqui você pode beber na rua, e o preconceito contra a maconha é tão nulo que se fuma ao mesmo tempo em que conversa com qualquer um na rua.

Encontramos brasileiros ali, aqui e mais amigos de Carlinhos. Uma portuguesa chamada Josefina, Joe para todos, e um peruano que esqueci o nome. Vamos para o palco de musica latina e, com uma garrafa de rum e coca-cola, vamos entrando no clima da festa. Vamos bebendo, comendo, rindo e dançando e quando a música acaba aqui, nos dirigimos o Havana Club, a barraca de um bar local que como o nome bem indica é especializado em Salsa. Perto da meia noite, embora meu relógio continue dizendo seis da noite, vamos a outro clube. O carnaval de rua está acabando por hoje, mas a festa continue nas dezenas de clubes pela cidade.

Passamos num clube de musica russa. Para chegar lá são uns seis ou sete lances de escada e estou sem ar quando chego no ultimo degrau. Fico por ali mesmo. Duas meninas alemãs estão ali já e começamos a conversar em inglês alimentado pelo rum. Conversa vai e vem e por fim peço o telefone delas pois o grupo já tinha decidido ir para outro canto. E assim vamos.

Caminhando pela rua alguns dos amigos de Carlinhos já estão ficando pelo caminho. E quando decidimos o destino final da noite, apenas três guerreiros se apresentam, sendo eu e Carlos dois deles.

Yaam. Se musica eletrônica não é o seu forte não se preocupe. Embora a Alemanha seja a terra da musica eletrônica, há dezenas de bares espalhados pela cidade com temáticas as mais diversas possíveis. Yaam é um clube especializado em reggae music. Absolutamente extasiante! A música toca alto e vibra no seu peito e as pessoas, todos vindos do carnaval e outras baladas, bulam e dançam e se deixam levar pelo batida. Hoje a noite não é reggae e sim mais um hip-hop, mesmo assim não há do que reclamar. Para qualquer lado que se olhe um menina linda, seja negra, loira, turca, latina está dançando e suando a alma. A única que se pode fazer é também se deixar levar pela mágica.

Quando saímos, meu relógio marca 11 da noite, já esta claro lá fora e o relógio da estação de metrô marca 5 da manhã. Estou morto e destruído. Quando chegamos em casa Carlos diz, “descanse bastante, hoje a gente vai sair mais cedo para o carnaval!” Aff!