Arquivo de novembro, 2008

É Tempo…

Publicado: 10 de novembro de 2008 em Sem Categoria
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É um tempo estranho. É um tempo onde vejo as pessoas com outros olhos, e vejo lugares por outros lados. É triste esse tempo. Tempo onde posso ver além das frágeis coisas que colocamos entre nós e nós mesmos. É tempo em que me lembro de Mark Twain dizendo que todo homem é uma lua, e eu sempre vejo os dois lados nesse segundo que me dão.

            É um tempo em que procuro deixar de ver as coisas como separadas de mim, mas ao contrario, sendo eu todas as coisas, sentir o que sentem todas as coisas antes de tomar meu segundo passo. Mas é tempo também em que me questiono e procuro saber se faço meus atos por que são bons em si mesmos ou se os faço por que são bons para mim. É tempo em que me lembro de Paulo dizendo que “mesmo que tivesse todos os dons do mundo, sem amor nada me adiantaria” e me lembro do sentido desse verdadeiro amor.

            Um tempo em que percebo o meu redor diferente, e logo, me sinto diferente do meu redor, e vejo que os nove meses que me separaram de tantos, não passou por nossas cabeças sem deixar de apontar para cada um, um rumo um pouquinho diferente do que tínhamos nesses mesmos nove meses atrás. É tempo onde vejo meus amigos mais maduros, e fico feliz, onde vejo alguns amigos no mesmo lugar e também fico feliz. Em cada detalhe que mudaram, continuam meus queridos, e se nesse tempo penso diferente deles, se discordo deles, não deixo de apreciá-los pela diferença que me dão. Em suas particularidades cada um tem tanta coisa boa para dividir.

            É um tempo em que o coração canta uma canção de altos e baixos, de tons e contra tons, de euforia e de choro. É tempo e que aprendo lições tardias. Em que me lembro de meu pai dizendo “que coração dos outros, é terra que ninguém pisa” e lembro que o preço do meu otimismo é confiar nos meus iguais. É tempo em que meu coração bate magoado, mas palpita feliz, alternando minha alegria a cada segundo. É tempo que os olhos dela estão em minha frente o tempo todo, mas não sinto mais sua risada. É tempo em que me acalmo pensando que o tempo é o senhor da cura, que embora coma os seus filhos, coloca para eles as coisas nos melhores lugares na interseção entre o tempo e o espaço.

            É tempo em que sinto que não farei toda a viagem que eu gostaria de fazer nessa vida, todo o progresso que almejo, mas também é tempo em que fico feliz por ter chego até aqui. É tempo, portanto, de sobre tudo gratidão. Em meu coração, que hora chora magoado, hora sorri de êxito, fica sempre latejando, um “obrigado!”. E agradeço cada lição recebida, com dor ou com alegria, com palavra ou com toque, direta e indireta, presente e ausente.

            É tempo em que abro meus olhos e vejo outras cores, e não há outra coisa a fazer se não sorrir.

            É tempo em que abro os olhos.

            É tempo em que digo, obrigado.

            É tempo em que ferido e magoado, estou feliz.

            Obrigado.

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